Olá! =)
Bom, para quem não me conhece, me chamo Bruno; sou químico (com mestrado em Engenharia Química) e resolvi escrever esse blog, por sugestão de amigos e parentes, para documentar minha viagem de estudos pro Japão. Pra resumir a história, fui aprovado num processo seletivo do ministério da educação do Japão (MEXT, 文部科学省) e fui contemplado com uma bolsa de estudos pra fazer meu doutorado por lá (via consulado geral em São Paulo), e pretendo relatar aqui as experiências de morar e estudar na terra do sol nascente.
Vou começar explicando um pouco do processo dessa bolsa que consegui. Ele consiste, basicamente, de 7 etapas:
1. Inscrição
2. Prova de idiomas
3. Entrevista
4. Aprovação pela banca do consulado
5. Aceitação do professor-orientador
6. Aprovação pelo MEXT
7. Aprovação pela universidade
No meu caso, fiquei sabendo da abertura do processo seletivo através de um cartaz que vi na minha escola de Japonês (Aliança Cultural Brasil-Japão, que recomendo fortemente), de conversas com meu amigo de lá (Hey, Paulo-san!), e do email institucional que nós alunos da USP recebemos semanalmente com novidades sobre bolsas de intercâmbio.
Para se inscrever é necessário preparar um projeto de pesquisa (cujo nome mais apropriado, a meu ver, seria "proposta de trabalho") que verse sobre um tema relevante que justifique ser estudado no Japão e que traga resultados importantes para ambos países. No meu caso, preparei um projeto que mescla o assunto do meu doutorado daqui do Brasil com um tema atual que julgo ser importante para futuros avanços na linha de pesquisa que venho seguindo (disponível aqui, para quem tiver curiosidade) e que tem sido desenvolvido por pesquisadores japoneses.
Depois vêm as provas de Japonês e Inglês (e aí vale a maior nota, okagesamade!). Se não me engano, tirei 98% na de Inglês e 10% (oops!) na de Japonês (obs.: a meu favor, tenho a dizer que estava fazendo ainda o primeiro módulo do básico! Depois de seis meses, fiz outra prova no consulado e consegui 58%! =D). No meu ano (2011) haviam 14 vagas, e chamaram 34 pessoas pra entrevista (dos 172 concorrentes).
A entrevista é meio tensa. Há uma banca com cerca de oito professores universitários de diversas áreas do conhecimento e universidades, com toda sua documentação e seu projeto em mãos, sentados em mesas dispostas num semi-círculo. O candidato se senta no meio, onde pode ser avaliado pelos professores e mais dois assistentes que observam atenciosamente sua postura.
Passada essa etapa tensa, os 17 (14 + 3 suplentes) aprovados pela banca examinadora têm a não menos tensa missão de conseguir cartas de aceitação de professores-orientadores de universidades japonesas, em um mês! Se o candidato já conhecer alguém, é mais fácil. Senão, tem que penar! O ideal são três cartas de aceitação de universidades diferentes, que o candidato lista em ordem de preferência - mas isso é consideravelmente raro de acontecer (pelo que conversei com meus colegas). Eu consegui aceitação de um professor do Tokyo Tech, (Instituto de Tecnologia de Tokyo, 東京工業大学), meu futuro orientador, e de um professor da Oosaka Prefecture University (大阪府大学). Tentei com um professor da Universidade de Kyoto, mas não obtive resposta.
A aprovação pelo MEXT sai por volta de novembro, e lá para janeiro já se tem o resultado da Universidade. Meu orientador da Tokyo Tech já me informou por email que está tudo acertado por lá. =)
Como vou fazer doutorado por lá, preciso de mais algumas coisinhas adicionais; uma delas é fazer um TOEFL-iBT (Test of English as a Foreign Language, internet Based Test), OU um TOEIC (Test of English for International Communication), que é o que devo fazer - mais barato, mais perto e menos trabalhoso. Mas isso é requisito da Tokyo Tech, não tem nada a ver com a bolsa do MEXT.
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Amanhã (hoje, na verdade) começa o Koshukai - um curso intensivo promovido pela ASEBEX (Associação Brasileira de Ex-Bolsistas no Japão) que visa preparar os futuros bolsistas para a vida nipônica. Ouvi ótimas recomendações, e acho que preciso de um desses. Além dos benefícios informativos óbvios, ainda parece ser uma ótima chance de conhecer o pessoal que vai para lá, os brasileiros com quem provavelmente terei mais contato e os possíveis companheiros de desbravamento de terras estranhas. =)
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